Contra o smog na Índia: Biomassa em vez de poluição do ar

Todos os anos os arrozais e os campos de trigo queimam em muitas regiões do norte da Índia – e fumos negros poluem mais ainda o ar de Nova Deli já afetado pelo smog. Agora, uma nova tecnologia da thyssenkrupp poderia terminar a queima de restolho (stubble burning) que surgiu da necessidade dos agricultores locais, ao mesmo tempo alimentando a rede de eletricidade da Índia com energia verde gerada.

Enquanto os europeus gostam de passear no ar frio e fresco do outono nos últimos meses do ano, nesta época em Deli na Índia muitas pessoas só saem da sua casa com uma máscara respiratória. Uma razão para isso é o smog que ocorre em 365 dias do ano na área metropolitana. Um estudo da Universidade de Chicago mostra quão dramática é a situação: Na Europa as partículas em suspensão encurtam a vida em média de um a dois meses – na Índia 4,3 anos. É o país em que se encontram muitas cidades com a maior poluição do mundo.

Mas nos dias do mês de novembro a neblina da megacidade fica mais densa e deprimente ainda. Após a colheita nos arrozais nos estados vizinhos de Nova Deli, Punjab, Haryana e Uttar Pradesh, as partículas em suspensão do trânsito se misturam com o fumo negro de milhões de toneladas de resíduos vegetais incendiados dentro de poucos dias. As áreas de cultivo do alimento sagrado na Índia queimam, incendiados pelos próprios proprietários.

Fenômeno da “Stubble Burning“: Uma questão de existência para os fazendeiros

O estado de Punjab é considerado o celeiro da Índia. Aqui, todos os anos são colhidos cerca de 140 milhões de toneladas de arroz em casca . A razão pela qual os agricultores locais incendiam os seus campos após a colheita é que alguns deles tem de colher até três safras por ano e tem de preparar os seus campos para a nova sementeira. Assim, os fazendeiros só tem pouquíssimo tempo. Em comparação com a limpeza cara e trabalhosa dos campos com máquinas agrícolas especiais, a queima é muito mais barata e eficiente.

A “stubble burning“ – queima de restolho – é um fenômeno relativamente novo. Até aos anos 80 os fazendeiros indianos ainda efetuavam a colheita à mão, mas após a introdução das ceifeiras restolhos de 30 centímetros de altura ficavam em mais e mais campos . Só em Punjab há dois milhões de fazendeiros e a maioria deles vive no limiar da pobreza. Apesar do apoio do estado, só poucos tem condições de comprar novas máquinas agrícolas para realizar mais rapidamente o trabalho urgente. Devido à necessidade, a maioria opta pelo fogo para destruir a tempo os restolhos – embora isso piore a qualidade dos solos todos os anos.

Os políticos tentam reduzir o fogo e o fumo sufocante com diversas medidas . Apesar da proibição oficial da prática nociva para o meio ambiente e o homem, apesar de apelos digitais e campanhas de informação e injeções financeiras para máquinas agrícolas, todos os anos o fumo se propaga nas cidades.

Tecnologia de biomassa: energia verde em vez de campos ardentes

Precisamos de tecnologias inovadoras para terminar sustentavelmente a queima de restolho. Isso só pode ter sucesso, se os fazendeiros não tiverem de meter fogo nos campos devido à sua pobreza, se não tiverem de ter medo de sanções, mas receberem incentivos financeiros. E algo está acontecendo : Mais e mais empresas procuram encontrar meios para comprar e reciclar os resíduos vegetais dos agricultores – para transformá-los em plástico ecológico, papel, móveis ou como matéria-prima para a geração de energia verde. Um time de especialistas indianos da thyssenkrupp se propôs como objetivo transformar os resíduos vegetais em um recurso valioso para a revolução energética.

Eles têm muita experiência para esta missão. Particularmente na Índia a thyssenkrupp já abordou por décadas a questão como as tecnologias de biomassa podem tornar a indústria local mais sustentável. “O nosso empenho pela energia limpa na base de biomassa remonta ao início da nossa atividade empresarial na Índia. Naquela época, no fim dos anos 70, começamos a fabricar caldeiras para fábricas de açúcar“, diz Vivek Bhatia, CEO da thyssenkrupp Industries India.

“As nossas caldeiras processavam bagaço de cana de açúcar, um biocombustível que, naquela época, ainda era um resíduo nas fábricas de açúcar. Fomos um dos primeiros que colocaram este conceito de cogeração para o setor da energia indiano na agenda. No fim dos anos 80 nos focalizamos mais e mais em soluções ecológicas para combustão de combustíveis de baixo poder calorífico – com emissões muito mais baixas em comparação com as tecnologias daquela época. Além disso, fomos um dos líderes na área de soluções de alta eficiência para série de indústrias, por exemplo, a indústria de cimento, de mineração e mineral.“

“Water cooled vibrating grate“: Processar os resíduos de culturas sem danificar a caldeira

Particularmente um desenvolvimento que a thyssenkrupp licenciou recentemente da empresa parceira dinamarquesa Babcock & Wilcox Vølund A/S agora poderia resolver o problema da queima de restolho: ”Water cooled vibrating grates“ – grelhas vibratórias refrigeradas a água. Nisso, a biomassa, neste caso os restolhos, primeiro são triturados e, a seguir, distribuídos uniformemente sobre uma grelha que vibra continuamente. Um sistema de camisa de água cuida da refrigeração. A cinza resultante é recolhida e eliminada abaixo da grelha. No final do processo, os resíduos vegetais dos campos são transformados em energia climaticamente neutra.

Ao contrário das tecnologias tradicionais, a caldeira central de biomassa foi projetada particularmente para resíduos de culturas difíceis de processar. Até agora ela é única no mercado indiano. “Devido aos fertilizantes usados nos campos, a biomassa de trigo e arroz é rica em cloro e potássio e é muito alcalina. Uma vez que estas substâncias são muito corrosivas, elas danificam o interior das caldeiras. Finalmente, isso leva à falha do sistema, uma vez que uma transmissão correta do calor é impedida“, explica Vivek Bhatia. “Com a nossa tecnologia agora é possível usar até a biomassa mais exigente e assegurar que a construção da caldeira seja operacional por muito tempo e cumpra todas as normas de emissões; tudo isso sem custos suplementares como, p. ex., para a briquetagem, uma vez que biomassa para a combustão pode ser alimentada diretamente.“

Durabilidade em vez de danos de corrosão: O primeiro cliente convenceu-se rapidamente

O time de Vivek Bhatia já convenceu o primeiro cliente indiano da sua tecnologia promitente. A empresa produtora de alimentos Sukhbir Agro Energy Ltd. (SAEL) vai instalar as grelhas vibratórias refrigeradas a água em duas novas caldeiras de alta pressão que processam um total de 80 toneladas de biomassa por hora. No início, a SAEL ainda confiava nos sistemas tradicionais, mas devido aos danos de corrosão no interior das suas caldeiras e das falhas correspondentes, a empresa com sede em Deli interessou-se rapidamente pela inovação da thyssenkrupp. No futuro, as novas instalações da SAEL vão gerar energia de palha de arroz - palha de arroz dos campos de Punjab, Haryana e Uttar Pradesh – não mais queimada, mas recolhida, vendida e usada de forma sustentável.

Solução sustentável para energia climaticamente neutra que evita o smog

“Durante muito tempo a queima de resíduos de culturas nos campos foi a principal causa para a poluição do ar no inverno no norte da Índia. Agora, temos uma solução sustentável para o problema. Vamos usar os resíduos para gerar energia limpa.“ Vivek Bhatia pensa que isso é vantajoso para todos: ”Os agricultores podem aumentar o seu volume de vendas através da venda dos seus resíduos de culturas. Ao mesmo tempo, os consumidores aproveitam da energia de biomassa climaticamente neutra. Outro efeito secundário são os lugares de trabalho criados pela nova tecnologia. “No futuro, o sistema de caldeira também deve entusiasmar clientes de outros países da Ásia por uma transformação mais eficiente e duradoura de biomassa em energia como, por exemplo, no Sri Lanka, no Bangladesh e na Tailândia.

Sobretudo, agora os habitantes de Nova Deli esperam que haja muito menos substâncias tóxicas no seu ar de respiração. Mas além dos novos sistemas de biomassa, outro desenvolvimento extremamente positivo alimenta esta esperança. Em maio de 2019 o ”Punjab Pollution Control Board“ informou que a quantidade de restolhos se reduziu claramente em comparação com o ano anterior. Assim, o trabalho de informação do governo indiano produz os primeiros efeitos. Junto com a nova tecnologia de biomassa da thyssenkrupp o céu sobre Deli fica mais e mais limpo, não só no sentido figurado.